Tomado de 247 TV – Brasil / Texto en portugués
Um dia depois da posse de Jair Bolsonaro, em que a imprensa atuante no
Brasil sofreu a maior humilhação de sua história, Olavo de Carvalho, guru do
presidente, propôs a expulsão dos correspondentes estrangeiros do país. Olavo
traçou uma linha divisória entre "palpites" e "noticiar
fatos" sem esclarecer quem estabelecerá tal linha para, em seguida,
decretar que os jornalistas que a ultrapassarem "deveriam ser banidos do
território nacional".
Os representantes de órgãos de
mídia estrangeiros que só vão ao Brasil para dar palpites em vez de noticiar os
fatos deveriam ser banidos do território nacional.
— Olavo de Carvalho (@OlavoOpressor) 2
de janeiro de 2019
A conclamação de Olavo de Carvalho pela expulsão de
correspondentes estrangeiros, algo que nem na ditadura militar ocorreu,
acontece um dia depois de jornalista brasileiros e da imprensa internacional
terem sido praticamente impedidos de trabalhar na cobertura da posse de Jair
Bolsonaro, tamanhos os cerceamentos e ameaças que sofreram.
Jornalistas franceses e chineses abandonaram a cobertura em
protesto contra as restrições estabelecidas pelo novo governo .
Ontem, dia da posse (1), os relatos dos jornalistas foram
impressionantes:
"Não se trata cachorro como os jornalistas são tratados
na posse de Bolsonaro. Não tem água, precisa de autorização pra ir ao banheiro,
não pode circular pra lugar nenhum, jornada de 14 horas, fomos revistados duas
vezes e nos alertaram que há risco de levar bala dos atiradores", afirmou
a jornalista Amanda Audi, do Intercept.
Vicente Nunes, veterano jornalista do Correio Braziliense,
registrou que correspondentes da China e da França decidiram abandonar a
cobertura: "Jornalistas da França e da China se rebelam e abandonam sala
onde estavam confinados no Itamaraty. Disseram que não aceitariam ficar em
cárcere privado até às 17h, quando seriam liberados para fazer registros da
posse de Bolsonaro. Essa rebelião deveria ser geral".
