Em nota, GSI diz que governo brasileiro não
incentivou o movimento
Eliane Oliveira / O Globo – Texto en portugués
BRASÍLIA - O Gabinete de Segurança
Institucional ( GSI) da Presidência da República chamou de
"invasão" a ocupação da Embaixada da Venezuela
em Brasília por
partidários do líder opositor venezuelano Juan Guaidó . No
comunicado, o órgão também classificou de "inescrupulosos e levianos"
aqueles que divulgam informações de que o governo brasileiro teria apoiado a
invasão.
"Como sempre, há indivíduos inescrupulosos
e levianos que querem tirar proveito dos acontecimentos para gerar desordem e
instabilidade. O Presidente da República jamais tomou conhecimento e, muito
menos, incentivou a invasão da Embaixada da Venezuela, por partidários do sr.
Juan Guaidó", diz um trecho da nota.
Segundo o GSI, as forças de segurança tanto da
União quanto do Distrito Federal estão tomando providências para que a situação
se resolva pacificamente e retorne à normalidade. O batalhão Rio Branco, da
Polícia Militar, está no local, mas não pode entrar na embaixada, que, pelas
normas internacionais, é território estrangeiro. Segundo o Itamaraty,
diplomatas brasileiros tentam mediar um acordo entre manifestantes pró e contra
Guaidó.
A nota do GSI demonstra que há irritação do
governo brasileiro com o episódio. O problema, que começou nas primeiras horas
desta quarta-feira, ocorre justamente no primeiro dia da reunião de cúpula do Brics
(Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Brasília.
Depois de divulgar nota atribuindo a invasão da
embaixada a "partidários do senhor Juan Guaidó", o GSI divulgou uma
nota versão da nota, excluindo essa informação. Na nova versão, o relato do GSI
permanece reconhecendo que a embaixada foi invadida, mas o ato não é mais
atribuído a pessoas ligadas a Guaidó.
Guaidó foi reconhecido como "presidente
interino" da Venezuela pelo governo Bolsonaro e os governos de mais cerca
de 50 países. No entanto, os militares brasileiros mantêm relações com as
Forças Armadas venezuelanas, que apoiam Guaidó. Os demais países do Brics
reconhecem Maduro como presidente legítimo.
Mais cedo, o chanceler do governo Maduro, Jorge
Arreaza, disse no Twitter que a embaixada foi invadida à força e
responsabilizou o governo brasileiro pelo que ocorrer: "Fazemos
responsável o governo do Brasil pela segurança de nosso pessoal e instalações
diplomáticas. Exigimos respeito à convenção de Viena sobre Relações
Diplomáticas", escreveu.
Um comunicado divulgado pela “embaixadora”
designada por Guaidó para o Brasil, María Teresa Belandria ,
afirmou que um "grupo de funcionários" da embaixada teria entrado em
contato com os representantes do governo autoproclamado para informar "que
reconhecem Juan Guaidó como presidente" da Venezuela.
O grupo, segundo o comunicado, “entregou
voluntariamente” a sede diplomática da Venezuela no Brasil à oposição.
Funcionários que estavam dentro da representação diplomática teriam sido
notificados da ação e convidados a aderir ao movimento, "garantindo todos
os direitos trabalhistas".