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A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra
Cármen Lúcia, afirmou neste sábado que o brasileiro não dormiria, se conhecesse
tudo o que ela sabe. A declaração foi dada pela ministra ao comentar a situação
dos presídios brasileiros, segundo ela, totalmente dominados organizações
criminosas.
— Hoje temos as questões gravíssimas de organizações
criminosas dominando em todos os estados do Brasil. Por isso eu digo que não é
cômodo nem confortável nenhuma poltrona na qual eu me assente, por uma singela
circunstância: eu sou uma das pessoas que mais tendo informações não tenho a
menor capacidade de ter sono no Brasil — disse a ministra, durante participação
no Festival Piauí Globonews de Jornalismo, realizado em São Paulo:
— Se o brasileiro soubesse tudo o que sei, tendo visitado 15
penitenciárias masculinas e femininas, seria muito dífícil dormir — completou.
A reportagem é de Jussara Soares, publicada por O Globo, 07-10-2017.
A reportagem é de Jussara Soares, publicada por O Globo, 07-10-2017.
Cármen Lúcia ainda rebateu os críticos e os desafiou a
assumir o seu lugar e fazer o que faz. Para ilustrar o momento atual do Brasil,
a ministra citou um trecho do poema “Nosso Tempo”, do mineiro Carlos Drummond
de Andrade: “Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos/ As leis não bastam/ Os
lírios não nascem da lei/ Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.”
— Vivemos tempos de muito tumulto. Para mim, infelizmente, eu
estou na presidência do Supremo e o Brasil quer uma solução para um mundo de
tumulto — disse Cármen, negando que se tratasse de um "relclamação."
Delação como "instrumento necessário"
Na conversa com a jornalista Consuelo Dieguez e diante de uma
plateia, a presidente do STF evitou se aprofundar em temas polêmicos. Sobre a
deleção dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, disse apenas que o Supremo
ainda vai avaliar se houve ou não manipulação para a produção de provas.
Entretanto, ela ressalvou que o ex-procurador-geral da república, Rodrigo
Janot, responsável por conduzir os acordos da colaboração dos empresários, é
“experiente e muito prepardo.”
— A colaboração premiada tem sido um instrumento necessário
para chegar ao fatos para que a corrupção não prevaleça.
Eventuais excessos serão corrigidos. Nenhuma investigação ou
acusação para caso o procedimento não tenha sido perfeitamente aplicado —
observou a ministra, que criticou o “vazamento seletivo” das delações:
— O vazamento é um erro.
A presidente do Supremo ainda fez uma forte defesa da
democria e disse não acreditar no risco de uma intervenção militar. Em
setembro, o general do Exército Antonio Hamilton Mourão indicou que a tomada do
poder pelos militares era uma saída para o país, caso o Judiiciário não
soluciasse o problema político. A ministra classificou com um desserviço
"qualquer fala de qualquer pessoas que seja contra a Constituição."
Provocada a dar opinião sobre as declarações do ministro
Gilmar Mendes e os embates com os ministros do STF, Cármem Lúcia se esquivou
dizendo que Mendes tem toda uma "peculiaridade" de se manifestar.
— Não pode um ministro calar o outro. Aliás, acho que ninguém
pode calar ninguém.
